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Índia exige aplicativos estatais de segurança cibernética em todos os smartphones

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Meryl Sebastian e Abhishek Dey

Getty Images Uma mulher é vista segurando um smartphone vermelho com o logotipo da AppleImagens Getty

A Índia agora tem 1,2 bilhão de assinantes móveis

A Índia determinou que todos os novos smartphones sejam pré-carregados com uma aplicação estatal de cibersegurança, levantando preocupações sobre privacidade e vigilância.

Segundo a ordem – aprovada na semana passada, mas tornada pública na segunda-feira – os fabricantes de smartphones têm 90 dias para garantir que todos os novos dispositivos venham com o aplicativo Sanchar Sathi do governo, cuja “funcionalidade não pode ser desativada ou restringida”.

Afirma que isto é necessário para ajudar os cidadãos a verificar a autenticidade de um aparelho e denunciar suspeitas de utilização indevida de recursos de telecomunicações.

A medida – que ocorre no maior mercado de telefonia do mundo, com mais de 1,2 bilhão de usuários móveis – foi criticada por especialistas cibernéticos, que afirmam que ela viola os direitos de privacidade dos cidadãos.

De acordo com a política de privacidade do aplicativo, ele pode fazer e gerenciar ligações, enviar mensagens, registros de chamadas e mensagens, fotos e arquivos, além de acessar a câmera do telefone.

“Em termos simples, isso transforma cada smartphone vendido na Índia em um contêiner para software exigido pelo Estado que o usuário não pode rejeitar, controlar ou remover de forma significativa”, disse o grupo de defesa Internet Freedom Foundation em um comunicado.

Em meio a críticas crescentes, o Ministro das Comunicações da Índia, Jyotiraditya Scindia, esclareceu que os usuários de telefones celulares terão a opção de excluir o aplicativo se não quiserem usá-lo.

“É um sistema totalmente voluntário e democrático – os usuários podem optar por ativar o aplicativo e receber seus benefícios ou, se não quiserem, podem excluí-lo facilmente do telefone a qualquer momento”, escreveu ele no X.

O ministro, porém, não esclareceu como isso seria feito caso a funcionalidade do app não pudesse ser desativada ou restringida.

O aplicativo Sanchar Sathi, lançado em janeiro, permite aos usuários verificar o IMEI de um dispositivo, denunciar um telefone perdido ou roubado e sinalizar contatos suspeitos de fraude.

Um IMEI – International Mobile Equipment Identity – é um código exclusivo de 15 dígitos que identifica e autentica um dispositivo móvel em redes celulares. O código é basicamente o número de série do telefone.

Num comunicado, o Departamento de Telecomunicações da Índia afirmou que os telemóveis com números IMEI duplicados ou falsos representam uma “séria ameaça” à segurança cibernética das telecomunicações.

“A Índia tem um grande mercado de dispositivos móveis usados. Também foram observados casos em que dispositivos roubados ou incluídos na lista negra estão sendo revendidos”, afirmou, acrescentando que isso “estende o comprador e causa-lhe perdas financeiras”.

De acordo com as novas regras, o aplicativo pré-instalado deve estar “facilmente visível e acessível” aos usuários quando eles configuram um dispositivo, e sua funcionalidade não pode ser desativada ou restringida.

Os fabricantes de smartphones devem fazer “um esforço” para fornecer o aplicativo por meio de atualizações de software para dispositivos que já saíram de fábrica, mas ainda não foram vendidos, disse o comunicado.

Todas as empresas foram solicitadas a relatar o cumprimento da ordem no prazo de 120 dias.

Getty Images Quatro pessoas são vistas conferindo os modelos da série iPhone 17 em exibição dentro de uma loja da Apple em um shopping em Mumbai. Dois deles vestem camisa azul escura, um veste camisa branca e o outro veste camisa cinza.Imagens Getty

O pedido exige que todos os telefones fabricados ou importados na Índia tenham o aplicativo pré-instalado em 90 dias.

O governo afirma que a medida fortalecerá a segurança cibernética das telecomunicações. Um relatório da Reuters, citando números do governo, diz que o aplicativo ajudou a recuperar mais de 700 mil telefones perdidos – incluindo 50 mil somente em outubro.

Mas os especialistas dizem que as amplas permissões do aplicativo levantam preocupações sobre a quantidade de dados que ele pode coletar, ampliando o escopo da vigilância.

O analista de tecnologia Prashant K Roy diz que a grande preocupação é quanto acesso um aplicativo pode ter em um aparelho.

“Não podemos ver exatamente o que está fazendo, mas podemos ver que está pedindo muitas permissões – acesso potencial a quase tudo, desde lanternas a câmeras. Isso por si só é preocupante”, disse ele à BBC.

Na Play Store do Google, o aplicativo afirma que não coleta nem compartilha dados do usuário. A BBC entrou em contato com o Departamento de Telecomunicações sobre o aplicativo e as preocupações de privacidade associadas.

Roy acrescentou que o cumprimento seria difícil, já que a ordem vai contra as políticas da maioria dos fabricantes de celulares, incluindo a Apple.

“A maioria das empresas proíbe a instalação de qualquer aplicativo governamental ou de terceiros antes de vender um smartphone”, disse ele, “exceto China e Rússia”.

De acordo com a Counterpoint Research, o mercado de smartphones da Índia é dominado pelo iOS Android da Apple, rodando cerca de 4,5% dos 735 milhões de smartphones do país em meados de 2025.

A Apple não comentou publicamente, mas a Reuters informou que não pretendia cumprir e iria “expressar suas preocupações em Delhi”.

A Índia não é o único país a ter regras mais rígidas sobre verificação de dispositivos.

Em agosto, a Rússia ordenou que todos os telefones e tablets vendidos no país fossem pré-instalados com a aplicação MAX Messenger, apoiada pelo Estado, levantando preocupações semelhantes em matéria de privacidade e vigilância.

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Lucas Almeida
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